Eu não vou ligar, se ele quiser ele liga. Certo? Errado. Quando eu sei que eu quero ligar, eu quero falar. Mas ele não quer. Ele não lembra. Ele não precisa.
Ele mesmo se basta, com outros olhares, outros corpos, outros desejos. Mas eu só queria ligar. Só ouvir a voz. Dizer que esta tudo bem comigo, com a esperança que ele veja que não esta e fale, “deixa eu voltar!”. Mas como eu mesma disse, eu quero. Ele não. Ele esta tendo a vida que ele quer. Quando eu na verdade a única coisa que quero é ele. Só ele, e é isso que me basta.
Injusto isso não ? Mas quem disse que a vida é justa?
Eu queria que o meu telefone tocasse, ia passar um filme na minha cabeça, ia demorar pra atender, mas não o suficiente pra que a ligação caísse. Ensaiei um texto pra falar quando esse momento chegasse, não ia querer cobrar nada e contar tudo, de tão infernal que foram os meus dias sem ao menos ouvir a sua voz, pretendo ficar horas no telefone, até eu dormir quem sabe ou a bateria acabar.
Pensei em ligar novamente. Disquei o numero, mas por sorte ou falta de coragem eu desisti, resolvi lembrar das outras vezes que eu liguei e ele ignorou. Ou das vezes que eu implorei pra eu vê-lo e ele não quis. Resolvi a me apegar as lembranças negativas, e por alguns segundos sair da bolha de perfeição que criei ao redor dele, de mim, de nós.
Meu celular tocou, e fiquei feliz, não era ele. Sei que queria que me ligasse, mas engraçado como podemos mudar de idéia. Minha vontade de falar é a mesma de querer esquecer. E quanto menos contato existir, mais fácil é apagar a saudade. Talvez você saiba disso, talvez por isso não ligue. Ou talvez só não sinta mesmo vontade.

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