quinta-feira, 21 de junho de 2012

Aquele toque





Ela olha no celular de 10 em 10 segundos, querendo ter a certeza que ele não tocou, se não fez nenhum tipo de alerta que por algum descuido ela não tenha visto.
Mas não tem nada. Ele ainda não ligou. Não disse um “bom dia minha linda” ou apenas um “oi”. Ele não apareceu. Ela sabe que ele vai aparecer, mas ela só não sabe quando. Se vai ser daqui a 10 min ou daqui a 10 anos. Mas ela sabe que ele sempre aparece. E mesmo sabendo ela fica aflita, angustiada, e uma esperança negativa, que faz seu coração disparar negativamente quando alguém liga e ela vê que não é ele. Ela já fez de tudo pra chamar a atenção, mas chamou a atenção demais e resolveu deixar ele sentir saudade e vir atrás. Mas o medo que ele não venha a consome por completo. No fundo seria o melhor o seu sumiço, mas não é o que ela quer. Ela nem sabe o que quer, por isso segue querendo ele, como uma forma de consolar, ou pra ter um pouco mais de auto piedade.
O telefone toca, instantaneamente abre um sorriso, mas logo o mal humor vem a tona. Era só mais uma msg da operadora, de tanta raiva quase que responde xingando e falando que não se deve mandar msg pras pessoas se você nem conhece. E ela desliga e liga o celular, talvez seja um problema de mal contato. Mas ela sabe que não é. Então segue, olhando constantemente pro celular. Uma hora ele toca, e toda a sua aflição desaparece nos próximos 30 segundos de conversa com quem ela tanto espera. Pena que o tempo de consolo é pouco demais para o tempo de espera.

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