Ela olha no celular de 10 em 10 segundos, querendo ter a
certeza que ele não tocou, se não fez nenhum tipo de alerta que por algum descuido
ela não tenha visto.
Mas não tem nada. Ele ainda não ligou. Não disse um “bom
dia minha linda” ou apenas um “oi”. Ele não apareceu. Ela sabe que ele vai
aparecer, mas ela só não sabe quando. Se vai ser daqui a 10 min ou daqui a 10
anos. Mas ela sabe que ele sempre aparece. E mesmo sabendo ela fica aflita,
angustiada, e uma esperança negativa, que faz seu coração disparar
negativamente quando alguém liga e ela vê que não é ele. Ela já fez de tudo pra
chamar a atenção, mas chamou a atenção demais e resolveu deixar ele sentir
saudade e vir atrás. Mas o medo que ele não venha a consome por completo. No
fundo seria o melhor o seu sumiço, mas não é o que ela quer. Ela nem sabe o que
quer, por isso segue querendo ele, como uma forma de consolar, ou pra ter um
pouco mais de auto piedade.
O telefone toca, instantaneamente abre um sorriso, mas
logo o mal humor vem a tona. Era só mais uma msg da operadora, de tanta raiva
quase que responde xingando e falando que não se deve mandar msg pras pessoas
se você nem conhece. E ela desliga e liga o celular, talvez seja um problema de
mal contato. Mas ela sabe que não é. Então segue, olhando constantemente pro
celular. Uma hora ele toca, e toda a sua aflição desaparece nos próximos 30
segundos de conversa com quem ela tanto espera. Pena que o tempo de consolo é
pouco demais para o tempo de espera.

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