Eu tinha uma ideia boba de
que o “pra sempre” nunca iria acabar. Que o nosso amor iria durar, de janeiro a
janeiro. Que não iria importar as estações do ano, se estaria chovendo, nevando
ou derretendo de tanto calor. Eu imaginava que você iria estar ali pra sempre. Que
mesmo quando a gente brigasse, iríamos dormir juntos. Que ficaríamos em baixo
das cobertas escondidos do mundo inteiro, até tudo de mal passasse e só
sobrasse o nosso amor, aquele que um dia eu acreditei que era enorme, que era recíproco.
Eu pensava que “eu te amo” fosse sincero, e tinha o poder de mudar o mundo, não
o mundo todo sabe, mas ao menos o meu mundo. Eu acreditava em você, em mim, na
gente. Eu esperava tanto por isso, cada segundo da minha vida foi esperando
algo, e achava que o que me faltava era você. Jurei amor eterno, acreditei em
seu amor eterno. Mas hoje olho para trás, olhos as fotos, os momentos, os
minutos que passamos juntos, e não nos vemos mais. Não te vejo mais. Não sei
mais nada de você. Você esta em algum lugar do mundo, acompanhado de outros
olhos, segurando outras mãos, e planejando outro futuro, bem diferente daquele
que um dia planejamos juntos. Não quero lamentar o que passou, não quero me
arrepender por não termos um futuro, e acima de tudo não quero sentir a sua
falta no presente. Mas é que hoje me deu uma saudade. Uma saudade boa. Não dói
mais, esta tudo se cicatrizando por aqui, mas é que as vezes da uma saudade. Estou
seguindo, um passo de cada vez. Parei de correr, parei de fugir. Melhor encarar
a realidade de frente e aceitar. O “pra sempre” não existe. O que era “eterno”
acabou. E não foi culpa minha, não foi culpa sua. Não foi culpa nossa. Não a
culpado, ninguém foi errado. Fizemos o que tínhamos que ter feito. Poderíamos ter
evitado muita coisa, mas não evitamos. Deveríamos ter encarado os problemas de
frente, mas fomos fracos, e fugimos. Fugimos um do outro, fugimos de nós
mesmos. E nos perdemos. E acabou. Acabou faz tempo, mas mesmo depois do fim,
ainda tem as lembranças que ficaram, e o perfume que ainda sinto quando lembro
de você. E a vontade do abraço, que não mais tenho, mas que ainda lembro e
tenho saudade.

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