Seu medo é engraçado. Ele me diverti. Sim, assumo que em silencio dou gargalhadas dessa insegurança sua. Você quer ser forte, importante, mas no fundo não passa de um menino bobo, que tem medo de crescer. Que odeia a rotina, mas tem medo do que é incerto. Por isso vive em uma falsa felicidade que inventou. Tolo. Se planeja algo que foge do seu controle, vira as costas, desisti e sai correndo pra barra da saia de qualquer uma que finge se importar com você, quando na verdade a única pessoa que ela se importa é com ela mesma. Tenta fugir de si mesmo, se esconde quando algo te aperta. Vive em mentiras e não sabendo que é o pior do mundo pra mentir. É tão obvio te desvendar, ou seria obvio apenas pra mim¿ Que consigo distinguir todas as suas sombras, todos os seus medos. Alguns já me intimidaram, mas hoje eu apenas me divirto com eles. Eu sei que eu te provoco, que te intrigo, que me desejas. Não sei ainda pra que, e por quanto tempo eu te interesso, mas em mim vê uma oportunidade única, que experimentou pela metade, mas ficou com medo de ir até o fim, de continuar desvendando o que eu podia oferecer. Talvez foi a minha inconstância que te assustou. Me fiz obvia pra você, tentei ser clara, mas nunca conseguiu ler a minha alma, não me decifrou por entrelinhas. Desistiu, foi fraco. Mas a curiosidade que me envolve, faz despertar em ti coisas que nem imaginava existir. É um jogo perigoso. Você se torna obvio demais, e mesmo assim ainda prefere fazer segredo, como se o seu sigilo te protegesse. Tem uma vida mascarada, a qual esta se tornando permanente. Chega a ser compreensível, mas da pena. Eu não agüentaria viver assim. Gosto do que me impulsiona, gosto de ser feliz, de rir até a barriga doer, de ter por perto os meus poucos porem leais amigos. De amar por inteiro, mesmo sabendo que isso pode ser doloroso. Mas é bom. Tenho vontade de sacudir você, de colocar algumas verdades em sua mente, e te dar coragem pra se libertar. Suas correntes estão cada dia mais grossa, e chegando a fazer um barulho assustador, que esta te deixando surdo. Sua voz já não sai. Seus olhos já não brilham, e eu não consigo acreditar nas palavras que escrevem para o mundo te observar. Doce menino, tão lindo, tão bom, mas que não aceita quem é. Não vê graça no que o seu coração fala, e o sufoca tentando ser o que não é. Como em uma tentativa frustrada de ser melhor, e acaba sendo pior, ao menos pra si mesmo. Ninguém vive a sua vida, ele sabe o peso que isso trás, mas pensa que é tarde demais pra se libertar, esquecendo que a única pessoa que tem a chave das suas correntes é ele mesmo.

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