De
vez em quando você aparece, rouba a minha criatividade e a minha vontade de
viver. Me confunde da cabeça aos pés, ilude com promessas que nunca foram
cumpridas, e me faz esquecer de mim pra viver inteiramente você. É assim, vez
ou outra o mundo vira de cabeça pra baixo, quando tudo esta ficando certo,
passa a ficar errado. Mas não culpo ninguém mais. É só de vez enquanto, é só
por algumas horas, dias ou meses. Não é eterno. Um dia já foi, não mais agora, não
mais hoje. Então eu deixo quieto. Respiro fundo, conto até 10, 20, 500, o tanto
que precisar, e espero passar. Porque eu sei que passa. Passa como você, um
vendaval não mais aceito em minha vida, uma doce discórdia para me lembrar de
coisas que não mais me pertence. Eu não te pertenço. Já pertenci, já me doei de
corpo, alma e coração. E foi em vão. Então me recuperei, guardei pra mim a
certeza de ser só eu e mais ninguém. As vezes me empresto pra outro, buscando o
brilho que já vi nos seus olhos ou o que eu pensei ver. Não quero mais saber
disso. Não quero mais saber de você. Não agora. Talvez daqui alguns dias
voltamos a nos enganar, a nos confundir. Mas por agora chega. Não juro que seja
pra frente, cansei de jurar e não cumprir. Só digo que não quero mais, não sei
por quanto tempo não vou querer mais. Mas por agora chega.
