Já não
sei quem eu sou. Nem as minhas palavras conseguem descrever um pouco da confusão
que esta aqui dentro. Tem muita gente saindo e entrando na minha vida, e tudo
ao mesmo tempo. Não consigo curtir o luto de uma despedida e nem a alegria de
uma nova chegada. Estou misturando os sentimentos, as culpas, os medos e as
pessoas. Estou misturando tudo em uma confusão danada. Não que a minha vida
nunca foi um pouco de confusão, até gosto dessa movimentação, mas é que agora
eu não sei. Não sei como agir, como falar. Não sei quem eu sou, não sei quem eu
fui e não sei quem eu quero ser. Mas sei que não quero estar sozinha, quero um
abraço acolhedor no fim das tardes deprimidas. Acho que mesmo quando eu tinha alguém,
eu não tinha. Nunca tive alguém inteiro pra mim, quando fui inteira pra outro. Não
quero ficar sozinha. Eu tenho tanto pra me doar, mais tanto, que as pessoas tem
medo de sufocar comigo. Preciso me dividir, me fazer transbordar, não quero
viver em um panela de pressão, pronta a explodir a qualquer momento. Não sei
quem eu vou ser, mas quero de novo a calmaria do rio da vida, que mesmo com os obstáculos,
ele segue em frente, vai calmo, tranquilo vai indo, vai passando, até encontrar
algo maior, e ser novamente imensidão,
infinito, uma construção de historias e memórias. Mas até la, esse tormento,
essa falta das palavras consegue me cegar.
