domingo, 22 de julho de 2012




Ela chega em casa, faz o seu ritual de beleza dominical, coloca o seu roupão preferido, vai pro quarto, põem as suas musicas favoritas, daquelas que ninguém nunca escutou, mas que ela coleciona todas as letras. Com a esperança que a musica se torne um tipo de oração, algo que ela possa trazer pra vida dela. Mas ela não consegue. Então ela escreve, desabafa, conta tudo o que ela não tem coragem de contar pra ninguém, por pura vergonha de demonstrar as suas fraquezas. Ela tem tantos sonhos que ficam ali, guardados, mas tão bem guardados que ela acabou esquecendo, na verdade ela esqueceu de tudo por causa de um amor mal resolvido, mal sucedido, mal, é um amor que é totalmente do mal. Mas não precisa ter pena dela, ela sabe. Ela sabe de tudo. Mas é porque ela sempre sonhou com ele, e ainda sonha todas as noites, estando acordada ou dormindo. É como se ele fosse o ponto de fuga dela, quando na verdade a única coisa que ela teria que fazer era fugir dele. Mas não consegue, é mais forte que qualquer coisa que ela já viu ou já sentiu. Ela não controla o que sente, e acaba se descontrolando, trocando os dias de raivas por alguns minutos de ilusão. Pura ilusão. E ela sabe que é. Mas não consegue entender o que alimenta isso dentro dela. Ela sabe que é forte, sabe que vai longe, sabe que so depende dela, que ela sempre foi o exemplo e sabe o que o certo, inclusive sabe como fazer. Mas ela não consegue, isso não pertence a ela. Então ela escreve até os dedos calejarem, e continua a sua rotina, escutando as suas musicas que ninguém entende, e tomando uma taça de vinho enquanto se delicia vendo um filme e esperando que os dias passem rápido até ela tomar coragem de fazer o que tem que ser feito.

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