Uma vez ou outra, eu faço
uma limpeza mental, tento colocar pra fora tudo o que fica me perturbando
muitas vezes até em silencio dentro de mim. Eu já não sei mais quem eu sou, e o
estranho que eu percebo que é exatamente esse o ponto que eu tenho que estar.
Sem saber quem eu sou, o que eu gosto ou o que eu deixo de gostar. Estranho
falar isso, estranho sentir isso, mas é um alivio saber que não tenho ou sou
nada. Saber que agora eu posso me remodelar. Como se eu estivesse em frente a
uma folha em branco e tendo a chance de escrever o que eu quiser. Posso começar
pelo o fim, pelo o meio, tanto faz. Posso começar agora ou deixar pra começar
mais tarde. Mas acho importante essa limpeza que estou fazendo. Alguns
princípios e ideologias já não servem mais pra mim. O que eu queria a 3 anos
atrás, já não me satisfaz. Quem eu sou hoje não é a pessoa que quero ser pro
resto da vida. E por mais estranho que as
minhas palavras podem ser, mesmo mantendo sempre uma constancia
melancólica naquilo que escrevo, eles acabam revelando pra mim aquilo que eu
preciso melhorar. Melhorar pra mim mesma, pra ser alguém que eu me orgulhe.
Quantas vezes perdi o meu tempo me tornando a pessoa perfeita para os outros,
que acabei não sabendo o que era perfeito pra mim. Não sei se é normal alguém
que se perde nas suas próprias ideologias. Mas eu me perdi, eu assumo, talvez
seja porque elas nunca foram bem formadas, sempre gostei das coisas mornas, do
meio termo, de ficar em cima do muro. Era a necessidade boba que eu tenho de
agradar todo mundo, de ser sempre a intelectualmente correta. Pensei que
funcionaria, acredito até que tenha funcionado nas primeiras duas décadas da
minha vida, afinal eu tinha tudo que eu queria, ou que eu precisava. Amigos,
festas, popularidade, e o principal, um coração intacto, forte, louco pra se
apaixonar. Doce ilusão, até eu aprender que paixão e amor são duas coisas
diferentes, ainda vou quebrar muito a cara, mas não quero falar sobre isso
agora, isso daria outro texto que ninguém lê. Mas fazendo a minha limpeza
mental, percebo que a minha fortaleza começa a desabar nesse momento, nesse
“apaixonar”, em perceber que as coisas não saíram como eu queria, que de nada
adiantou eu ser a senhora perfeição, se eu não fosse correspondida. Então junto
tudo, minha imaturidade, meu excesso de conhecimento que de nada adiantou, e a
inocência de acreditar nas minhas próprias fantasias e vontade de mudar as
pessoas com o meu falso conhecimento. Foi exatamente ai que fui apresentada
pelo o mundo real, quando pela primeira vez desci do muro e resolvi mergulhar
de cabeça. Oooo e como mergulhei, fui de cabeça em algo que era tão raso, que
acabei me quebrando inteira. Hoje ainda falta alguns cacos pra serem colados,
mas já tenho o suficiente pra seguir em frente, sem querer olhar pra trás. Mas
como falta algo, falta em que acreditar. Estou uma folha em branco, esperando a
hora certa de escrever uma nova historia, um novo eu. Ainda não sei como
começar, mas sei que será melhor do que já fui até aqui. Aceitando as minhas
imperfeições e me permitindo errar vez ou outra.

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