segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Folha em Branco

Uma vez ou outra, eu faço uma limpeza mental, tento colocar pra fora tudo o que fica me perturbando muitas vezes até em silencio dentro de mim. Eu já não sei mais quem eu sou, e o estranho que eu percebo que é exatamente esse o ponto que eu tenho que estar. Sem saber quem eu sou, o que eu gosto ou o que eu deixo de gostar. Estranho falar isso, estranho sentir isso, mas é um alivio saber que não tenho ou sou nada. Saber que agora eu posso me remodelar. Como se eu estivesse em frente a uma folha em branco e tendo a chance de escrever o que eu quiser. Posso começar pelo o fim, pelo o meio, tanto faz. Posso começar agora ou deixar pra começar mais tarde. Mas acho importante essa limpeza que estou fazendo. Alguns princípios e ideologias já não servem mais pra mim. O que eu queria a 3 anos atrás, já não me satisfaz. Quem eu sou hoje não é a pessoa que quero ser pro resto da vida. E por mais estranho que as  minhas palavras podem ser, mesmo mantendo sempre uma constancia melancólica naquilo que escrevo, eles acabam revelando pra mim aquilo que eu preciso melhorar. Melhorar pra mim mesma, pra ser alguém que eu me orgulhe. Quantas vezes perdi o meu tempo me tornando a pessoa perfeita para os outros, que acabei não sabendo o que era perfeito pra mim. Não sei se é normal alguém que se perde nas suas próprias ideologias. Mas eu me perdi, eu assumo, talvez seja porque elas nunca foram bem formadas, sempre gostei das coisas mornas, do meio termo, de ficar em cima do muro. Era a necessidade boba que eu tenho de agradar todo mundo, de ser sempre a intelectualmente correta. Pensei que funcionaria, acredito até que tenha funcionado nas primeiras duas décadas da minha vida, afinal eu tinha tudo que eu queria, ou que eu precisava. Amigos, festas, popularidade, e o principal, um coração intacto, forte, louco pra se apaixonar. Doce ilusão, até eu aprender que paixão e amor são duas coisas diferentes, ainda vou quebrar muito a cara, mas não quero falar sobre isso agora, isso daria outro texto que ninguém lê. Mas fazendo a minha limpeza mental, percebo que a minha fortaleza começa a desabar nesse momento, nesse “apaixonar”, em perceber que as coisas não saíram como eu queria, que de nada adiantou eu ser a senhora perfeição, se eu não fosse correspondida. Então junto tudo, minha imaturidade, meu excesso de conhecimento que de nada adiantou, e a inocência de acreditar nas minhas próprias fantasias e vontade de mudar as pessoas com o meu falso conhecimento. Foi exatamente ai que fui apresentada pelo o mundo real, quando pela primeira vez desci do muro e resolvi mergulhar de cabeça. Oooo e como mergulhei, fui de cabeça em algo que era tão raso, que acabei me quebrando inteira. Hoje ainda falta alguns cacos pra serem colados, mas já tenho o suficiente pra seguir em frente, sem querer olhar pra trás. Mas como falta algo, falta em que acreditar. Estou uma folha em branco, esperando a hora certa de escrever uma nova historia, um novo eu. Ainda não sei como começar, mas sei que será melhor do que já fui até aqui. Aceitando as minhas imperfeições e me permitindo errar vez ou outra.

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